sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Agulha Revista de Cultura | Fase II | Número 1 | Editorial




Todos os portos são inseguros

Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011Os primeiros 10 anos de Agulha Revista de Cultura constituem experiência determinante em um ambiente novo como o uso da Internet como meio de difusão e crítica da cultura e suas manifestações estéticas, a arte em geral. Ao lado do Jornal de Poesia, a Agulha Revista de Cultura surge, há 12 anos, com seu duplo caráter pioneiro, a utilização de nova tecnologia e a aposta em criar um lugar saudável de discussão, troca de idéias, sobre as inúmeras fontes de expressão artística.
Desde o princípio tivemos o cuidado com certo equilíbrio entre dois mundos cediços: a glória e o ostracismo. Ambos possuem seus componentes persuasivos, evasivos, desagregadores, excludentes. Argumentos em favor do ostracismo ou da glória podem confundir a importância de suas vítimas. É curioso observar como a atividade humana – que se move, em geral, em um pântano que mescla arte, religião e ciência – se deixa enredar por essa condição de vítima, sempre que algo lhe foge aos rascunhos de um calendário programado.
Se há uma lição complicada de ser apreendida, aqui está: a Internet não é mais do que um lápis, ou seja, uma ferramenta empregada na defesa de um discurso. Mas somos viciados em truques publicitários, todos os dias imaginamos que algo de novo reluz nas janelas da virtualidade. Em meio a isto, as redes sociais surgem como evidências de um caráter promíscuo da espécie humana. Melhor dizendo: aguçam essa promiscuidade latente. Quando a religião exige uma fé incondicional, a ciência impõe currículos, a arte se torna reiterativa, o que se observa é que o grande prejuízo se localiza no mundo das artes, pois suas duas contrapartes jamais atuaram de forma distinta. Nossa consideração aqui é no sentido de que religião e ciência sempre tiveram bem fixo em sua alça de mira o coração do inimigo. A arte sempre foi uma recusa a essa idéia de um inimigo potencial. Em face disto, hoje é sua pior controvérsia.
mídia soube sugar a medula dessa infestação de egos em que se constituiu a arte. Sem hóstia ou laboratório, o mundo nas mãos de um suspiro poético, um acorde, uma cor, não resta dúvida, a arte é a grande vítima. Nenhuma novidade, até que os artistas compreenderam e tomaram gosto por essa condição. Até aqui a cronologia valida o editorial. O que fazemos a partir deste momento é um outro dilema. A opção da Agulha revista de Cultura aponta na direção de uma discussão clara de temas que vamos tratando de diversificar, não apenas em seu conteúdo intrínseco, como em uma variedade de leituras.
O homem sempre sonhou, sempre imaginou, sempre delirou. É curioso que agora o sonho, a imaginação, o delírio, sejam rejeitados porque expressos on-line. A tecnologia apressou o passo no contato, porém não garantiu afinidade. A utilização do tempo é outra falácia. Usamos o tempo para atender a aspectos profissionais, religiosos, afetivos… Colhemos ali as boas orquídeas da curiosidade. Todos nós sabemos que o mundo imprevisível é o que nos guarda as melhores experiências.
A revista é um desafio perene, de por em dúvida todas as manifestações do ego, fraturar as linhas de uma cultura alquebrada por falta de conhecimento de seus antecedentes, pares, e conseqüente ausência de uma visão de futuro que vá além do alcance de uma janela. Este é um dilema corrente, pouco observado e talvez o mais prejudicial ao ambiente do que se poderia entender como renovação estética das artes. É o que desejamos sugerir agora, com a retomada da Agulha Revista de Cultura a um mundo mais ampliado de aventuras estéticas, compreendido por uma nova estrutura, lápis bem apontado em mãos de parceiros que nos acompanham há muito.
Cumpre mencionar alguns aspectos, a começar recordando que em 2007 a Agulha Revista de Cultura foi merecedora do Prêmio Antonio Bento da ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte, ocasião em que seus editores receberam como troféu uma bela escultura de Nicolas Vlavianos. Vale conferir a entrega do prêmio nesta página: www.youtube.com/watch?v=lnfzLYblA50. Empenhada em propiciar reflexão e difusão das artes em suas mais variadas formas de expressão, a revista naturalmente pôs em destaque preferências como o surrealismo, as artes plásticas e a América Hispânica. Em sua nova fase reiteramos essas zonas particulares de interesse, ao mesmo tempo em que estruturamos um maior cuidado com a cultura brasileira, em especial na criação de um centro virtual permanente de estudos referente a três áreas de criação: a plástica, a música e a literatura.
Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011Este talvez seja o destaque maior dessa nova fase, a aparição, na forma de um conjunto de dossiês, com circulação quadrimestral, do que chamamos de CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS. Nesta primeira edição do ano começamos com uma série de 10 ensaios sobre artistas plásticos brasileiros. O calendário editorial deste ano inclui ainda um dossiê dedicado à música (maio) e outro à literatura (agosto), e assim sucessivamente, a cada ano, renovamos, ampliando, nossa contribuição à cultura brasileira.
Outro destaque que se impõe nesta segunda fase diz respeito à formação mágica – inconfundível esplendor do voluntariado, da amizade em nome da poesia – de uma equipe de tradutores, o que permite que a revista não apenas circule em diversos idiomas, como também que seja possível trazer ao leitor brasileiro temas e autores até então impossibilitados por motivos que certamente vão além da questão idiomática. São eles: Allan Vidigal, Éclair Antonio Almeida Filho, Gladys Mendía e Luiz Leitão da Cunha. Também se junta a nós o poeta e ensaísta Márcio Simões, que passa a atuar como editor assistente. Como os destaques se multiplicam como surgem portos na visão de um navegante, podemos ainda mencionar que a Agulha Revista de Cultura dispõe tanto de uma versão completa em formato pdf de cada um de seus números, como também de conta e grupo no Facebook, através do www.facebook.com/www.revista.agulha.nom.br, cujo endereço da seção de cartas é agulha@groups.facebook.com.
Por último, mas certos de que não cessa jamais o espírito da aventura, destacamos dois de nossos parceiros: La Cabra Editores, do México, pela publicação do primeiro de 4 volumes dedicados às melhores páginas da Agulha Revista de Culturanos 10 anos que conformam sua primeira fase; e as Edições Nephelibata, do Brasil, pela publicação de um volume de entrevistas ao argentino Jorge Luís Borges e uma antologia poética do estadunidense Gregory Corso, respectivamente montados, traduzidos e prefaciados por Floriano Martins e Márcio Simões.
Assim a nave singra, confiante em seu espírito, embora ciente de que todos os portos são inseguros.

Os Editores




Todos los puertos son inseguros

Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011Los primeros 10 años de Agulha Revista de Cultura constituyen una experiencia determinante en un ambiente nuevo como el uso de la Internet como medio de difusión y crítica de la cultura y sus manifestaciones estéticas, el arte en general. Al lado del Jornal de Poesia, la Agulha Revista de Cultura surge, hace 12 años, con su doble carácter pionero, la utilización de nueva tecnología y la apuesta en crear un lugar saludable de discusión, intercambio de ideas, sobre las innumerables fuentes de expresión artística.
Desde el principio tuvimos cuidado con cierto equilibrio entre dos añejos mundos: la gloria y el ostracismo. Ambos poseen sus componentes persuasivos, evasivos, disgregadores, excluyentes.
Argumentos a favor del ostracismo o de la gloria pueden confundir la importancia de sus víctimas. Es curioso observar como la actividad humana –que se mueve, en general, en un pantano que mezcla arte, religión y ciencia– se deja enredar por esa condición de víctima, siempre que algo huye a los esbozos de un calendario programado.
Si hay una lección para ser aprendida, es esta: la Internet no es más que un lápiz, o sea, una herramienta empleada en defensa de un discurso. Pero somos adictos a trucos publicitarios, todos los días imaginamos que algo nuevo reluce en las ventanas de la virtualidad. En medio de esto, las redes sociales surgen como evidencias de un carácter promiscuo de la especie humana. Mejor dicho: agudizan esa promiscuidad latente. Cuando la religión exige una fe incondicional, la ciencia impone currículos, el arte se vuelve reiterativo, lo que se observa es que el gran daño se localiza en el mundo de las artes, pues sus dos contrapartes jamás actuarán de forma distinta. Nuestra consideración aquí es en el sentido de que la religión y la ciencia siempre tuvieron fijo en la mira el corazón del enemigo. El arte siempre se resistió a la idea de un enemigo potencial. Viendo esto, hoy día es su peor controversia.
Los medias supieron sacar provecho de esa plaga de egos en que se constituye el arte. Sin hostia o laboratorio, el mundo en las manos de un suspiro poético, un acorde, un color, no queda duda, el arte es la gran víctima. Ninguna novedad, hasta que los artistas comprendieran y tomaran gusto por esa condición. Hasta aquí la cronología valida lo editorial. Lo que hacemos a partir de este momento es otro dilema. La opción de Agulha Revista de Cultura apunta en la dirección de una discusión clara de temas que vamos tratando de diversificar, no solo en su contenido intrínseco, sino en una variedad de lecturas.
El hombre siempre soñó, siempre imaginó, siempre deliró. Es curioso que ahora el sueño, la imaginación, el delirio, sean rechazados por expresos on-line. La tecnología aceleró el paso en el contacto, sin embargo no garantizó afinidad. La utilización del tiempo es otra falacia. Usamos el tiempo para atender aspectos profesionales, religiosos, afectivos… Tomamos allí las buenas orquídeas de la curiosidad. Todos sabemos que el mundo imprevisible es lo que nos guarda las mejores experiencias.
La revista es un desafío perenne, de poner en duda todas las manifestaciones del ego, fracturar las líneas de una cultura rota por falta de conocimiento de sus antecedentes, pares, y consecuente ausencia de una visión de futuro que va más allá del alcance de una ventana. Este es un dilema corriente, poco observado y tal vez el más dañino al ambiente de lo que se podría entender como renovación estética de las artes. Es lo que deseamos sugerir ahora, con la reanudación de Agulha Revista de Cultura a un mundo más amplio, de aventuras estéticas, comprendido por una nueva estructura y un lápiz bien afilado en manos de compañeros que nos siguen desde hace mucho.
Cabe mencionar algunos aspectos, para empezar, recordando que en 2007, Agulha Revista de Cultura fue merecedora del Premio Antonio Bento de la ABCA – Asociación Brasilera de Críticos de Arte, ocasión en que sus editores recibieron como trofeo una bella escultura de Nicolas Vlavianos. Se puede ver la entrega del premio en esta página: www.youtube.com/watch?v=lnfzLYblA50.
La Revista, empeñada en propiciar la reflexión y difusión de las artes en sus más variadas formas de expresión, naturalmente destacó preferencias como el surrealismo, las artes plásticas y la América Hispánica. En su nueva fase reiteramos esas zonas particulares de interés, al mismo tiempo en que estructuramos un mayor cuidado con la cultura brasilera, en especial en la creación de un centro virtual permanente de estudios referente a tres áreas de creación: la plástica, la música y la literatura.
Este tal vez sea el realce mayor de la nueva fase, la aparición de un conjunto de dossiers, con circulación cuatrimestral que titulamos: CENTRO DE ESTUDIOS BRASILEROS. En esta primera edición del año comenzamos con una serie de 10 ensayos sobre artistas plásticos brasileros. El calendario editorial de este año incluye un dossier dedicado a la música (mayo) y otro a la literatura (agosto), y así sucesivamente, cada año, renovamos, ampliando, nuestra contribución a la cultura brasilera.
Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011Otra figura destacada que se impone en esta segunda fase, es respecto a la formación mágica –inconfundible esplendor del voluntariado, de la amistad en nombre de la poesía –de un equipo de traductores, lo que permite que la revista no solo circule en diversos idiomas, sino también que sea posible traer al lector brasilero temas y autores hasta entonces imposibilitados por motivos que ciertamente van más allá de la cuestión idiomática. Son ellos: Allan Vidigal, Eclair Antonio Almeida Filho, Gladys Mendía y Luiz Leitão da Cunha. También se une a nosotros el poeta y ensayista Márcio Simões, que pasa a actuar como editor asistente.
Como las figuras destacadas se multiplican, como surgen puertos nuevos en la visión de un navegante, podemos todavía mencionar que Agulha Revista de Cultura dispone tanto de una versión completa en formato pdf de cada uno de sus números, como también de cuenta y grupo en Facebook, a través de www.facebook.com/www.revista.agulha.nom.brcuya dirección de la sección de cartas es agulha@groups.facebook.com.
Por último, pero convencidos de que no cesa jamás el espíritu de aventura, destacamos dos de nuestros compañeros: La Cabra Editores, de México, por la publicación del primero de 4 volúmenes dedicados a las mejores páginas de Agulha Revista de Cultura en los 10 años que conforman su primera fase; y las Ediciones Nephelibata, de Brasil, por la publicación de un volumen de entrevistas al argentino Jorge Luís Borges y una antología del estadounidense Gregory Corso, respectivamente montados, traducidos y presentados por Floriano Martins y Márcio Simões.
Así la nave surca, confiada en su espíritu, aunque al tanto de que todos los puertos son inseguros.

Os Editores




Every haven is unsafe


Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011The first 10 years of Agulha Revista de Cultura were a defining experience in the new environment that is using the Internet as a medium for the dissemination and critique of culture and its aesthetic manifestations, the arts in general. Together with Jornal de PoesiaAgulha Revista de Cultura appeared 12 years ago with a two-fold pioneering mission: using a new technology; and creating a sound space for discussing and exchanging ideas about the countless sources of artistic expression.
Even as we started out, we were careful to find a balance between two ever-present worlds: glory and ostracism. They both involve persuasive, evasive, segregating, exclusive elements. Arguments for either ostracism or glory may confuse the importance of their victims. It is interesting to watch how human activity – which usually moves in a quagmire of art, religion and science – lets itself become entangled in this role of a victim whenever something evades the boundaries of a planned schedule.
If one lesson is difficult to apprehend, here it is: the Internet is no more than a pencil, that is, a tool to be used in the defense of a discourse. But we are addicted to publicity stunts. Day in and day out we imagine that something new is shining in the windows of the virtual world. Amid all this, social networks emerge as evidence of the promiscuous nature of humankind. Better yet: they rouse this latent promiscuity from sleep. Where religion demands unconditional faith, science imposes curricula, art becomes reiterative, and we find that the greatest damage is done in the realm of the arts, as its two counterparts never act distinctly. By this we mean that religion and science always had the heart of the enemy firmly on their sights. Art has always been a refusal of the very notion of a potential enemy. As such, it now faces its worst controversy.
The media understood how to suck the marrow of the infestation of egos art has become. Devoid of wafers or labs, the world in the hands of a poetic whisper, a chord, a color, art is without a doubt the greatest casualty. Which is nothing new, so much so that artists themselves understood the situation and acquired a taste for it. So far, chronology supports this editorial. What we do from this point on is another dilemma. Agulha revista de Cultura made a choice that points to a frank discussion of topics that we will diversify not only in terms of their intrinsic content, but also as a variety of readings.
Man has always dreamed, imagined, fancied. It is curious that dreams, imagination and fancy should now be rejected for being expressed on-line. Technology has expedited contacts, but does not assure affinity. The use of time is a fallacy, too. We use time to meet professional, religious, affective aspects... It is where we pick the orchids of curiosity. We all know that the world of the unpredictable has the best experiences in store.
The magazine is a constant challenge that involves questioning the ego’s every manifestation, breaking the lines of a culture weakened by the lack of knowledge of its antecedents and peers, and by the resulting absence of a future vision beyond the reach of a window. It is an ongoing dilemma, one that is seldom observed and perhaps most harmful to what might be understood as an aesthetic renewal of the arts. This is what the resumed Agulha Revista de Cultura now proposes to a broader world of aesthetic adventures circumscribed by a new framework, a sharp pencil in the hands of partners that have long walked by our side.
Some points are worth mentioning, beginning with the fact that in 2007 Agulha Revista de Cultura won the Antoni0 Bento award from the ABCA – Associação Brasileira de Críticos de Arte (Brazilian Association of Art Criticis), at which time the editors received a beautiful sculpture by Nicolas Vlavianos as a trophy. The delivery of the award can be viewed at www.youtube.com/watch?v=lnfzLYblA50. Dedicated to fostering the dissemination of and a reflection upon the arts in its many forms of expression, the magazine has naturally emphasized preferences such as Surrealism, the visual arts, and Hispanic America. In this new phase we reiterate these particular areas of interest while adding attention to Brazilian culture, particularly with the creation of a new and permanent virtual studies center dedicated to three creative areas: visual, musical, and literary.
Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011This is, perhaps, the highlight of this new phase, reflected in the creation – as a series of quarterly dossiers – of what we call BRAZILIAN STUDIES CENTER. This first issue of 2011 begins with a series of 10 essays on Brazilian artists. The year’s editorial calendar also includes a dossier dedicated to music (May) and another to literature (August), and so on successively, year after year, renewing, expanding our contribution to Brazilian culture.
Another highlight worth mentioning in this second phase concerns the magical formation – the unmistakable shine of volunteer effort, of friendship on behalf of poetry – of a team of translators that will enable the magazine to not only run in several languages, but also allow it to offer Brazilian readers topics and authors thus far unreachable for reasons that surely go beyond the language issue. The team members are Allan Vidigal, Éclair Antonio Almeida Filho, Gladys Mendía, and Luiz Leitão da Cunha.We are also joined by poet and essayist Márcio Simões, who serves as assistant editor. Because highlights multiply like havens appear before the eyes of a sailor, we can also mention that Agulha Revista de Cultura, in addition to offering a full pdf version of every issue, also has a Facebook account and group, at www.facebook.com/www.revista.agulha.nom.br. The e-mail address for the letters section is agulha@groups.facebook.com.
Finally, but certain that the spirit of adventure never ceases, we acknowledge two of our partners: La Cabra Ediciones, from Mexico, for the publication of the first of four volumes dedicated to the best ofAgulha Revista de Cultura in the ten years of its first phase; and Edições Nephelibata, from Brazil, for the publication of a book of interviews with Argentine author Jorge Luís Borges and an anthology of the work of US poet Gregory Corso, respectively assembled, translated and with prefaces by Floriano Martins and Márcio Simões.
And so the ship sails on, confident in its spirit, even if certain that all havens are unsafe.

The Editors




Il n’y a pas de port sûr

Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011Les 10 premières années de l’expérience de Agulha Revista de Cultura ont été cruciales vers un nouvel environnement telle quelle l’Internet comme un moyen de diffusion et de critique de la culture esthétique et ses manifestations, l’art en général. Outre le Jornal de PoesiaAgulha Revista de Cultura vient il y a 12 ans, avec son double caractère pionnier de l’utilisation des nouvelles technologies et en investissant dans la création d’un lieu sain pour la discussion, l’échange d’idées sur les nombreuses sources d’expression artistique.
Dès le début nous avons été prudents avec un certain équilibre entre deux mondes: la gloire et l’ostracisme. Les deux composantes ont leur persuasion, et son troublantes, excludantes. Les arguments pour  l’ostracisme ou la Gloire peuvent en confondre l’importance de leurs victimes. Il est curieux d’observer comment l’activité humaine – ce qui bouge, généralement dans un marais qui fusionne l’art, la religion et la science – est empêtrée dans cette condition de la victime, quelque chose échappe toujours de lui pour rédiger un calendrier établi.
S’il y a une leçon compliquée à apprendre, la voilà: l’Internet n’est pas plus qu’un crayon ou un outil à utiliser dans la défense d’un discours. Mais nous sommes dépendants de coups de publicité ; nous imaginons tous les jours quelque chose qui scintille dans les fenêtres de la virtualité. Parmi cela, les réseaux sociaux semblent être une preuve de nature promiscue de l’espèce humaine. Plutôt, aiguiser cette promiscuité latente. Quand la religion exige une foi inconditionnelle, la science impose un programme à accomplir, l’art devient répétitif, ce qui est observé c’est que le grand mal réside dans le monde de l’art, parce que ses deux homologues jamais n’agissent autrement. Notre considération ici est le sentiment que la religion et la science ont toujours le cœur de l’ennemi solidement fixé sur leur dos. L’art a toujours été un refus de cette idée d’un ennemi potentiel. Compte tenu cela, Aujourd’hui est sa pire controverse.
Les médias savaient comment sucer la moelle de l’infestation des égos qui était l’art. Pas d’accueil ou de laboratoire, le monde était dans les mains d’un soupir poétique, une corde, une seule couleur, sans aucun doute, l’art est la grande victime. Rien de nouveau jusqu’à ce que les artistes ont compris le coup et ont  pris un goût pour cet état. Même la chronologie valide la rédaction. Ce que nous faisons à partir de maintenant est un autre dilemme. Le choix de l’Agulha pointe vers le magazine de la culture d’une discussion claire des problèmes que nous essayons de diversifier, non seulement sur leur contenu intrinsèque, mais aussi comme dans une variété de lectures.
L’homme a toujours rêvé, toujours imaginé, toujours déliré. Il est curieux que maintenant le rêve, l’imagination, l’illusion, sont rejetés parce qu’ils sont exprimés en ligne. La technologie a accéléré son rythme en contact, mais n’en a pas garanti l’affinité. L’utilisation du temps est une autre illusion. Nous utilisons le temps pour observer les aspects professionnels, religieux, émotionnels… Nous collectons les bonnes orchidées dans la curiosité. Nous savons tous que le monde imprévisible est ce qui nous garde les meilleures expériences.
Éditer le magazine est un défi constant, celui de mettre en question toutes les manifestations de l’ego, les lignes de fracture d’une culture brisés par manque de connaissance de ses antécédents, ses pairs, et l’absence consécutive d’une vision d’avenir qui va au-delà de la portée d’une fenêtre. C’est un dilemme courant, peu vu et peut-être plus nuisible à l’environnement que l’on pourrait comprendre comment renouveler l’esthétique des arts. C’est ce que nous voudrions suggérer maintenant, avec la reprise de Agulha Revista de Cultura élargie d’une aventure plus esthétique, composée d’une nouvelle structure, crayon pointu dans les mains des partenaires qui nous accompagnent depuis longtemps.
Floriano Martins | Estudos de pele, 2010-2011Il convient de mentionner quelques façons de commencer par rappeler qu’en 2007, Agulha Revista de Cultura a gagné le Prix d’Antonio Bento de ABCA – Association Brésilienne des Critiques d’Art, quand il a reçu ses éditeurs comme trophée une belle sculpture de Nicolas Vlavianos. Il vaut mieux vérifier la remise des prix sur cette page: www.youtube.com/watch?v=lnfzLYblA50. Engagé à fournir la réflexion et la diffusion des arts sous toutes ses formes d’expression, le magazine souligne, bien entendu, les préférences à l’égard du surréalisme, des arts visuels et de l’Amérique hispanique. Dans notre nouvelle phase nous réitérons ces domaines d’intérêt particulier au moment même où nous strutcturons un plus grande soin envers la culture brésilienne, en particulier à partir de la création d’un centre virtuel d’études permanentes relatives à trois domaines de création: les arts plastiques, la musique et la littérature.
C’est peut-être le point culminant de cette nouvelle phase: l’apparition sous la forme d’un ensemble de dossiers, avec un tirage trimestriel, de ce que nous appelons le CENTRE D’ETUDES BRESILIENNES. Dans cette première édition de l’année nous commençons avec une série de 10 essais sur des artistes brésiliens. Le calendrier éditorial de cette année comprend également un dossier consacré à la musique (en mai) et d’autres documents (août), et ainsi de suite, chaque année, de renouveler, d’élargir notre contribution à la culture brésilienne.
Il est nécessaire remarquer un autre point dans cette deuxième phase concernant la formation magique – la splendeur incomparable de bénévolat, de l’amitié, au nom de la poésie – une équipe de traducteurs, ce qui nous permet non seulement de faire circuler le magazine en plusieurs langues, mais aussi bien que possible d’amener au lecteur des sujets brésiliens et des auteurs à ce jour inouïs et inédits pour des raisons qui vont au-delà de la question certainement idiomatique. Ce sont: Allan Vidigal, Éclair Antonio Almeida Filho, Luiz Mendes et Gladys Mendía. Aussi nous rejoint le poète et essayiste Márcio Simões, qui commence à agir comme éditeur assistant. Comme des ports qui se multiplient à la vue d’un marin, on peut aussi mentionner que l’examen d’ Agulha Revista de Cultura est disponible sur une version complète en format pdf de chacun de leurs numéros, ainsi que sur son groupe Facebook, à travers la www.facebook.com/www.revista.agulha.nom.br, dont l’adresse électronique est agulha@groups.facebook.com.
Nous voudrions relever un dernier point – mais sûrs que l’esprit d’aventure jamais ne cesse: nous mettons en évidence deux de nos partenaires: La Cabra Ediciones, au Mexique, a publié le premier des quatre volumes consacrés aux meilleures pages de Agulha Revista de Cultura dans les 10 années qui façonnent leur première phase; et Edições Nephelibata, au Brésil, vient de publier un volume d’entretiens avec l’écrivain argentin Jorge Luis Borges et une anthologie de poésie du poète américain  Gregory Corso, respectivement assemblés, traduits et préfacés par Floriano Martins et Márcio Simões.
Une fois les voiles du navire se lèvent, confiant dans son esprit, bien que conscient que tous les ports sont précaires.

Les rédacteurs en chef


ÍNDICE

VIVIANE DE SANTANA PAULO | Adonis da Arábia
FLORIANO MARTINS | Camilo Prado & os arquivos secretos da Nephelibata
LUÍS EUSTÁQUIO SOARES | Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e o ser ibérico
LUIS CARLOS MUÑOZ SARMIENTO | Cinco minutos de silencio… por Keith Jarrett
VICENTE FERREIRA DA SILVA | D. H. Lawrence: uma floresta sombria
GOTTFRIED BENN | ¿Debe la poesía mejorar la vida?
CARLOS M. LUIS | Bestiario hermético y surrealista
LAURINE ROUSSELET | Léon-Gontran Damas, paso del poema negro
FLORIANO MARTINS | María Luisa Martínez Passarge y el desafío ejemplar de La Cabra Ediciones
BETTY MILAN | Michel Serres: educação e mestiçagem

MANUEL MORA SERRANO | Estudios de piel de Floriano Martins


Página ilustrada com obras de Floriano Martins (Brasil), artista convidado desta edição de ARC.




Agulha Revista de Cultura
Fase II | Número 1 | Janeiro de 2012

editor geral | FLORIANO MARTINS | arcflorianomartins@gmail.com
editor assistente | MÁRCIO SIMÕES | mxsimoes@hotmail.com
logo & design | FLORIANO MARTINS
revisão de textos & difusão | FLORIANO MARTINS | MÁRCIO SIMÕES
equipe de tradução
ALLAN VIDIGAL | ECLAIR ANTONIO ALMEIDA FILHO | FLORIANO MARTINS
GLADYS MENDÍA | LUIZ LEITÃO | MÁRCIO SIMÕES

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