terça-feira, 19 de julho de 2016

Agulha Revista de Cultura # 89 | Editorial


● UMA BOA NOITE DE ASAS SOLTAS

Resolvi tornar este editorial um caderno de notas em face do registro de atividades mais recentes da revista e também de nosso selo impresso ARC Edições. Considerando que a moeda de circulação de nossos projetos tem sido um altruísmo singular, uma forma de cumplicidade que não é medida imperativa de uma troca de favores, mas antes de uma alteridade, de uma descoberta feliz de ambientes comuns que tanto nos enriquecem individual como socialmente. Exceto pelos títulos impressos pela ARC Edições, até o momento, em 16 anos ininterruptos de atividade editorial, alcançamos o milagre de uma evidência em âmbito internacional praticamente sem um único aporte financeiro. Nosso balanço contábil indica inexistência de entrada ou saída de recursos. Faço questão de ressaltar este dado como uma fortaleza do espírito que define a razão de ser da revista.
Nos primeiros 10 anos de atividade editorial a revista circulava em um endereço que ao final da primeira década sofreu inexplicável desajuste em seu acesso: www.revista.agulha.nom.br/, período em que foi generosamente acoplada ao mesmo provedor do Jornal de Poesia, uma dívida cósmica que terei por mil encarnações com seu diretor, Soares Feitosa. No biênio 2010-2011 fizemos uma pequena alteração de rumos editoriais, de modo que a revista se dedicou unicamente à cultura e às artes na América Hispânica. A partir de janeiro de 2012 retomamos a abrangência da pauta original, com algumas significativas mudanças estruturais: a parceria com Claudio Willer, que caracterizou a primeira década, foi substituída por uma nova cumplicidade, desta vez com Márcio Simões, que então acabara de criar a Sol Negro Edições, dedicada unicamente à publicação de livros artesanais; saímos da tutela carinhosa do Jornal de Poesia para o sistema Blogger, alterando o endereço de nosso portal para Agulha Revista de Cultura; significativas mudanças de projeto gráfico e constituição de pauta.







A mudança de endereço implicou na recuperação do acervo da primeira década. Até o momento já recuperamos o biênio em que a revista se chamou Agulha Hispânica. E criamos uma série especial intitulada “Antologia ARC Fase I”, onde aos poucos estamos recuperando ao menos o mais relevante do material que publicamos em 70 números que vão de 1999 a 2009.
A releitura de um acervo tão extenso e abrangente nos trouxe a ideia de criar outras séries especiais, monotemáticas, não apenas recuperando de forma concentrada o acervo referido, mas também destacando novos registros editoriais. Em termos de recuperação, os exemplos relevantes apontam na direção de dois projetos paralelos: uma galeria de revistas – espaço integrado à Agulha Revista de Cultura em que divulgávamos outras aventuras editoriais, similares ou não, através de entrevistas com seus diretores; e uma antologia do Projeto Editorial Banda Hispânica, um banco de dados que paralelamente à revista eu tratei de desenvolver no Jornal de Poesia. E em termos de estabelecimento de novas pautas, surgiu uma ideia de novas séries especiais, que intitulamos “O rio da memória”, “Viagens do Surrealismo” e “Vozes poéticas”, respectivamente dedicadas a temas variados em âmbito cultural e artístico, especificidades ligadas ao Surrealismo e uma espécie de galeria crítica para difundir obra e pensamento de grandes nomes da poesia. Um dos destaques foi a criação de uma série dedicada ao estudo das Vanguardas no Século XX. Também dedicamos séries a Dadá, Surrealismo, Beat Generation etc.
A nova estrutura definida torna factível por em circulação relevante proliferação de projetos, o que atende a um número cada vez mais amplo e variado de leitores. Nos dois últimos números da revista, em sua agora restabelecida periodicidade mensal, apresentamos o protótipo do que no futuro se converterá em nova série especial: o encontro entre dois artistas, de uma mesma geração, marcados por uma afinidade de propósitos criativos. Espécie de balanço crítico de realizações comuns, uma pauta dificilmente destacada pela imprensa em geral. Este sempre foi, aliás, o maior propósito da Agulha Revista de Cultura, criar ambientes de diálogo entre referências culturais até então inencontráveis. Um paralelo no mundo impresso nos últimos dois anos é o que se está buscando na parceria entre ARC Edições e Sol Negro Edições. Márcio Simões, diretor desta última, tem me acompanhado como codiretor da revista nos últimos dois anos. Outro paralelo é a criação de um Centro de Estudos Latino-americanos Floriano Martins (CEL-FM) que em breve será inaugurado em ambiente acadêmico da Universidade do Estado da Bahia, uma parceria entre o Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem e Agulha Revista de Cultura, a partir da doação inicial de mais de seis mil títulos da biblioteca particular de Floriano Martins.
Tudo isto para dizer que a Agulha Revista de Cultura tem atuado em distintas áreas, e que planeja um desdobramento cada vez mais atuante. Para nós, será sempre essencial lembrar a presença cúmplice de vários amigos, manifestada de modos distintos. Talvez possamos concentrar um agradecimento post-mortem em Carlos M. Luis, inestimável como estudioso do Surrealismo e como uma extraordinária figura humana, a seu lado, o elenco dos vivos é um paiol imensurável, em um quadro variável de ações, de contribuições, que eu tratarei, ciente dos riscos, de concentrar em Soares Feitosa e Leontino Filho, dentro do Brasil, e Alfonso Peña e Susana Wald, fora do país. Todos nós sabemos que a multiplicidade orgânica de um projeto como o de Agulha Revista de Cultura não funcionaria sem essas trincheiras generosas. Eu me sinto honrado por tanta confiança.

Os editores

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● ÍNDICE

FÉLIX ÁNGEL | Belo Horizonte: La ciudad, inicio y proceso de su modernidad

FLORIANO MARTINS & LEILA FERRAZ: Os mais deliciosos cadáveres da terra: 2015/1

FLORIANO MARTINS & LEILA FERRAZ: Os mais deliciosos cadáveres da terra: 2015/2

FLORIANO MARTINS & LEILA FERRAZ: Os mais deliciosos cadáveres da terra: 2016

FLORIANO MARTINS & VALDIR ROCHA | A inutilidade das fontes

FLORIANO MARTINS | O pincel com asas de Ivald Granato

JACOB KLINTOWITZ | Ivald Granato e a morte em São Paulo

LEILA FERRAZ | A quiromancia e o surrealismo

LEILA FERRAZ | Introdução ao pensamento mágico surrealista

RIMA DE VALLBONA | Uso denigrante de lo femenino en las sociedades precolombinas

ARTISTA CONVIDADA | FLORIANO MARTINS | Leila Ferraz e a marca indelével do maravilhoso



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Página ilustrada com obras de Leila Ferraz (Brasil), artista convidada desta edição de ARC.

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Agulha Revista de Cultura
Fase II | Número 19 | Agosto de 2016
editor geral | FLORIANO MARTINS | floriano.agulha@gmail.com
editor assistente | MÁRCIO SIMÕES | mxsimoes@hotmail.com
logo & design | FLORIANO MARTINS
revisão de textos & difusão | FLORIANO MARTINS
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