terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CENTRO DE ESTUDOS LITERÁRIOS LATINO-AMERICANOS FLORIANO MARTINS



APRESENTAÇÃO


A concepção do Centro de Estudos Literários Latino-Americanos Floriano Martins é uma iniciativa do Grupo de Pesquisa Cultura, Sociedade e Linguagem (GPCSL/CNPq), com sede na UNEB/Campus VI Caetité - BA. Nasceu da doação de livros, revistas, jornais, documentários e CD’s pelo editor da Agulha Revista de Cultura, o escritor Floriano Martins, à UNEB, por intermédio de Maria de Fátima Novaes Pires, uma das professoras responsáveis pela criação do Grupo de Pesquisa. A sigla CEL-FM (Centro de Estudos Literários Latino-Americanos Floriano Martins) é uma justa homenagem ao doador dos títulos, possibilitando a formação desse projeto. O objetivo do Centro de Estudos Literários é criar um espaço permanente para discussão, divulgação e, principalmente, intercâmbio entre Cultura e Literatura Brasileira (de fortes raízes latinas) com Culturas e Literaturas produzidas em outras regiões da América Latina. Tem o objetivo de ultrapassar os estreitos limites da academia e dialogar com práticas e saberes promovidos em outros ambientes de produção do conhecimento. Essa iniciativa visa a criação de espaços físicos e simbólicos para um variado acervo cultural, que possibilitará a interação de discentes da UNEB e demais membros da comunidade caetiteense. Com o pensamento voltado para a necessária interlocução entre diferentes visões de mundo, o Centro possibilitará a partilha de experiências acadêmicas, artísticas e culturais.


● OBJETIVOS DO CEL- FLORIANO MARTINS


1. Promover pesquisas no campo da Literatura Brasileira e de culturas Latino-Americanas numa perspectiva comparativa e interdisciplinar;

2. Criar condições para a recepção e análise de acervos bibliográficos da recente produção literária latino-americana;

3. Estimular o diálogo entre a realidade cultural brasileira e latino-americana;

4. Promover seminários, encontros, colóquios e manifestações culturais diversas para possibilitar diálogos permanentes com as culturas latinas das Américas;

5. Identificar particularidades temáticas e formais de obras de autores das Literaturas de Língua Portuguesa, como resultado de determinados fatores geográfico-culturais em comparação com a produção Latino-Americana;

6. Refletir sobre o lugar da ficção na construção das identidades nacionais;

7. Difundir a produção cultural do continente latino-americano;

8. Ofertar curso de espanhol;

9. Criar o componente adicional Literatura latino-americana para inserção nos currículos dos cursos de Licenciatura do Campus VI.


INFORMAÇÕES SOBRE O ACERVO DO CEL - FLORIANO MARTINS


Atualmente o CEL-FM conta com um acervo de pouco mais de três mil títulos de livros. Desse montante, pouco mais da metade está devidamente catalogada e disponível à consulta. Parte majoritária da doação envolve coleções quase completas de importantes revistas e suplementos literários de quase todos os países hispano-americanos. Destacam-se as importantes revistas mexicanas Blanco Móvil, Luna Zeta, Archipiélago e Alforja; a lendária El Pez y la Serpiente, da Nicarágua; a brasileira Poesia Sempre etc. Constam ainda da doação CDs dos mais reputados músicos da América Latina e DVDs de filmes de ficção e documentários. O acervo está em constante atualização com doações promovidas por intercâmbios com universidades, centros de pesquisas e doadores (particulares) comprometidos com o fomento de pesquisas e estudos latino-americanos no estado da Bahia.

 

HORÁRIO DE ATENDIMENTO

O CEL - FLORIANO MARTINS funciona de segunda à sexta-feira, das 13h30 às 17h30. Por enquanto, o CEL está instalado numa sala contígua ao serviço de cópia da UNEB/campus VI, Caetité-BA.


● LINHAS DE PESQUISAS E CURSOS DE EXTENSÃO PROMOVIDOS PELO CEL-FM


Prof.ª Me. Zélia Malheiro Marques
Tema: Constituição Leitora e Cultura do Escrito
Discute a constituição leitora de escritores latino-americanos a partir da leitura de suas produções literárias. Identifica o circuito dos seus impressos e os mecanismos de divulgação de práticas intelectuais, culturais e artísticas.

Prof. Esp. Rogério Soares Brito
Tema: A linguagem fotográfica
Discute, a partir de fotógrafos latino-americanos, maneiras de compreender a natureza das fotografias, abordando questões técnicas e estéticas que esclareçam os seus possíveis significados culturais, históricos e artísticos.

Prof.ª Dr.ª Sidnay Fernandes dos Santos Silva
Tema: Discurso e mídia
Estuda a Análise do Discurso de linha francesa e seus desdobramentos na América Latina. Analisa os modos de produção e circulação de sentidos materializados na mídia latino-americana.

Prof.ª Dr.ª Esmeralda Guimarães Meira
Tema: Literatura Baiana na América Latina
Estuda a lírica e a ficção baiana e sua intertextualidade com a produção literária da América Latina.

Prof.ª Dr.ª Maria de Fátima Novaes Pires
Tema: Narrativa Ficcional e Narrativa Histórica - campos semânticos
Aborda campos narrativos, considerados em suas historicidades específicas e em seus lugares sociais de produção. Tem em vista perspectivas teóricas elaboradas por M. Certeau (1925-1986) e G. Gadamer (1900-2002), dentre outros autores.




EQUIPE DO CEL - FLORIANO MARTINS

Coordenador
Prof. Esp. Rogério Soares Brito

Equipe
Prof.ª Me. Zélia Malheiro Marques
Prof.a Dr.a Sidnay Fernandes dos Santos
Prof. Dr. Paulo Henrique Duque Santos
Prof.ª Dr.ª Maria de Fátima Novaes Pires
Prof.a Dr.ª Esmeralda Guimarães Meira

Estagiária
Viviane Marta da Silva

Contatos

UNEB
Av. Contorno, s.n.
46400-000 Caetité-BA


 CENTRO DE ESTUDOS LITERÁRIOS LATINO-AMERICANOS FLORIANO MARTINS

Não há símbolo de poder mais forte que o livro. Muito além da ideia de domínio ou influência, o poder essencial celebra concentração e irradiação. O livro recolhe em suas páginas raiz e variáveis de todos os demais símbolos de poder: os nomes, os selos, as leis, as chaves, as máscaras, as armas… O livro é o verdadeiro poder, sendo emblema e prática de todas as perspectivas do sonho, da memória e da atitude imediata com que nos definimos a cada instante.
O livro se reconhece pelo que está escrito dentro e fora de seus nichos e antecâmaras. O livro é talvez a única fonte real de integração, ao unir – sem a mínima sombra de imposição ou corrupção – os mundos destinados a ser e estar. O livro é o que somos, porém ao mesmo tempo em que é o lugar que habitamos.
Cofre único e generoso onde aguardam visitação os segredos da humanidade. Tudo em seu íntimo está aberto e ao mesmo tempo requer uma senha. A chave de acesso ao livro é a sua leitura, o que corresponde a uma relação amorosa entre conhecimento e sensibilidade.
A leitura é uma forma tanto de tecer quanto de desvendar a rota invisível dos labirintos. Podemos esconder o mundo dentro daquilo que sabemos. Também isto o livro nos ensina. Como podemos dar abrigo a todas as formas de vida que buscam novos laços de revelação e consciência. Ou podemos apenas transformar água em vinho. O livro é o reflexo de nossa existência.
O verdadeiro autor de um livro sabe que todo ele é apócrifo. Não recordo a origem da imagem de que, assim como o lago é um abismo acrescido de água, o livro seria o mesmo abismo acrescido de letras. De saberes, corrigiriam uns. De truques, remendariam outros. Porém o abismo ainda está ali e o que a ele acrescentamos é a medida exata do que somos.
Esta é a imagem que dá conformação à casa de leitura que idealizamos, como um lugar sagrado em que crisálida e cigarra se reconheçam irmanadas e integradas à representação maior de suas vidas. Casa ou ninho, o centro do mundo é uma estação, uma passagem, a ponte que entrelaça antes e depois, as margens místicas, os vislumbres acidentados, os extremos, as dissonâncias…
Porém não podemos chegar ali e seguir viagem sem que sejamos possuídos pela intuição de que nada permanece. A intuição não é uma certeza, mas antes um estado paradisíaco em que mil realidades vagam como transparências que se superpõem. O centro é uma esfera fabulosa, repleta de círculos concêntricos e postigos iluminados pela sensibilidade de quem os frequenta.
O centro é o livro é a chave é a crisálida e cada vez que deixamos pousar uma imagem sobre outra nos reconhecemos múltiplos de um mesmo sentido determinado: a convivência. Este é o princípio que protagoniza a criação do Centro de Estudos Latino-Americanos Floriano Martins.
Sinceramente não me encabula que o mesmo leve meu nome, porque o próprio ego não é senão uma fagulha da convivência. O que me estimula a rascunhar estas palavras é outra afirmação de uma mesma personalidade: a doação do acervo inaugural desta casa é uma espécie de determinação da chama, ou seja, a de que devemos buscar contatos significativos.
Somos tocados pelas formas. Nós nos comunicamos por intermédio delas. O símbolo maior da casa é a crença na integração. O mundo se espalha por todos nós justamente em seus fragmentos. Na exata medida em que nós nos espelhamos nos insaciáveis mundos que reproduzimos a cada instante.
Os livros que aqui estamos reunindo não são matizes de um dogma, mas antes o incorruptível acúmulo de combinações de saber. Um concerto que é retrato fiel de infinitos desconcertos. Se acaso delimitamos sua área com o marco geográfico de uma América Latina o fazemos movidos pelo mesmo princípio conjugado de concentração e irradiação.
São incontáveis os mundos que cabem em um livro, na mesma inumerável impossibilidade de definir quantos mundos saem dos livros a cada leitura. Continentes e conteúdos se mesclam, na mesma proporção em que corpo e alma, na formação de novos abismos aos quais decidiremos se lhe acrescentamos água ou letras. 


*****

A doação que fiz ao Centro de Estudos Literários Latino-Americanos Floriano Martins (CEL-FM) deste que ora se afirma como seu acervo inaugural expressa um velho sonho de dar à cultura sua carga mais intensa de generosidade. O acesso a toda forma de conhecimento é uma dádiva que deve ser estendida a todos. Sempre me inquietou visitar bibliotecas particulares de escritores e ali me deparar com um acervo mudo, que não se comunica senão com seu detentor. Ao longo dos anos fui tratando de doar livros a pequenas bibliotecas, porém uma ideia maior me perseguia, a de concentrar parte significativa de meu acervo em um local único, criando condições de pesquisa e deleite, um ponto a partir do qual pudéssemos ir além, planejando palestras e outros eventos que enriqueçam o conhecimento de quem se mostrar interessado. Outro aspecto fundamental é o da diversidade de opções de conhecimento, o que me levou a constituir o presente acervo não apenas de livros, mas também de revistas, jornais, documentários e música. Sua definição como centro de estudos latino-americanos vem do fato de que esta tem sido a área mais ampla de minha produção intelectual, ao mesmo tempo em que contribui, ainda que minimamente, para o acesso ao que se produz de mais relevante em boa parte de nosso continente. O Centro, contudo, tende a ser o mais amplo e generoso possível na busca de novos vasos comunicantes. Este é, portanto, um primeiro acervo. O passo seguinte já nos leva a sonhar com doações vindas de outros escritores e mesmo de instituições, de modo a instigar o prazer pela leitura, pelo conhecimento, e consequente aprimoramento da sensibilidade.

Floriano Martins

FLORIANO MARTINS (1957). Poeta, editor, ensaísta e tradutor. Dirige, desde quando a criou, em 1999, a Agulha Revista de Cultura, de circulação pela Net, bem como o selo ARC Edições, de livros impressos. Este selo, ao lado de outro, Editora Cintra, são responsáveis pela criação da coleção “O amor pelas palavras”, de eBooks de circulação exclusiva pela Amazon.


APOIO CULTURAL




4 comentários:

  1. Excelente! Só posso parabenizar e desejar vida longa!

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  2. Excelente! Só posso parabenizar e desejar vida longa!
    Isa Fonseca

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  3. Felicitaciones por esta iniciativa. Asimismo, copio enlace con "Vallejo sin Fronteras Instituto" (VASINFIN) desde ya "parceiro" de esta iniciativa:

    http://blog.pucp.edu.pe/blog/granadospj/

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